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sábado, 7 de julho de 2012


Amamentação e muitos mistérios

Faz parte da nossa natureza poder amamentar um ou mais filhos, o corpo foi feito assim e a nossa sobrevivência dependeu disso por muitos e muitos séculos. 

Mas... quantas mulheres ao seu redor conseguem amamentar como orientam os órgãos de saúde? Exclusivamente com leite materno nos primeiros seis meses de vida e mantendo o aleitamento por pelo menos 2 anos de vida complementando com a alimentação? Eu conhecia poucas. E continuo conhecendo, porque as que eu conheço que conquistam a amamentação geralmente precisam lutar muito pra que isso aconteça, munindo-se de informação, buscando experiências de quem conseguiu e construindo uma rede de apoio.

E é sobre este apoio que gostaria de tratar hoje. Na nossa sociedade cada vez mais individualista, não é raro que nos frustremos ao tentar ajudar o outro. Nossa ajuda é oferecida do nosso ponto de vista, e quando é negada porque o outro precisa de outra ajuda, ficamos decepcionados. 

A mulher que acabou de receber seu filho no mundo aqui fora está passando por um momento muito particular de sua vida, muitas coisas precisam se estabelecer. Afinal de contas, ela acaba de receber em sua vida alguém que vem pra ficar, mas que depende totalmente dela e não tem horários pré definidos, além de não conseguir expressar do que está precisando naquele momento. É necessário então que esta mãe esteja em paz para poder se doar completamente a este momento. Aí entra o apoio.

Como apoiar a mãe que quer amamentar? Darei aqui algumas dicas:

- Fortaleça-a. Diga "você está se esforçando com amor pelo seu filho, continue, vocês conseguirão", "que bom que você está disposta, seu bebê sente isso, seu leite é poderoso".
- Ajude-a fisicamente com o que puder. Uma louça lavada, uma comida pronta, um colo para o bebê enquanto ela toma banho. Com compreensão.
- Incentive-a a descansar, dormir enquanto o bebê dorme. Se puderem dormir juntos, para que o bebê sinta a presença da mãe, melhor ainda.
- Esteja presente. Se ela quiser conversar, dê ouvidos. Senão, esteja a postos para qualquer coisa. 
- Jamais diga coisas como: "minha mãe criou dez sozinha e ainda mantinha a casa em ordem", "meu nenê chorava assim e era fome, meu leite era fraco, depois que demos mamadeira tudo se resolveu", "será que só seu peito vai ser suficiente?", "colo de novo? assim fica mal acostumado, como vai ser quando você voltar a trabalhar?", "este bebê está com manha, te fazendo de chupeta".

O estabelecimento da nova rotina pode ser lento e prolongado, cada dupla terá seu tempo. Alguns bebês solicitam o peito quase 24h por dia nos primeiros meses e isso está mais ligado ao fato de que eles não compreendem a mudança entre estar protegido e livre de qualquer desconforto dentro da barriga da mamãe e estar num ambiente em que tudo é muito diferente disto. Mamar conforta, traz o cheiro da mãe, o calor do corpo, o sabor conhecido. Não é só alimento físico. E o início pode ser difícil para todos, a mãe não tem controle sobre o que acontece, o peito pode rachar, doer, encher demais, o leite pode demorar a descer, o bebê pode precisar de ajuda para aprender a mamar... 

Se você conhece alguém que quer amamentar, apoie. Este apoio é muito valioso e pode contribuir para uma linda história. 


4 comentários:

  1. Nossa Camila, gostei muito do seu texto! Vejo amigas e até mulheres da minha família que passam por problemas com amamentação e me sinto uma privilegiada por poder manter o Arthur no peito mesmo no trabalho (onde todo mundo me apóia!). Vou divulgar em meu Face e gostaria de autorização para publicar em meu blog (rosasepalavras.blogspot.com). Um abraço e parabéns!
    Roseli

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    1. Roseli,
      Fique à vontade para publicar no seu blog sim!
      Nas condições atuais, nas grandes cidades, tem sido um privilégio conseguir amamentar um filho e manter o aleitamento materno depois do início da alimentação...
      Mas lutar pelos nossos é também lutar por todos. A situação pode mudar!

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  2. Que lindo Camila... Minha primeira filha está com 11 dias, as vezes eu sinto uma alegria enorme por estar amamentando, as vezes cansa, bate uma exaustão... Ainda bem que eu tenho essa rede de apoio, é realmente fundamental.

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    1. É, Renata, uma fase bem difícil, cansativa...
      Sem apoio não dá!
      Com apoio, os frutos podem ser colhidos por todos, não é mesmo?

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