domingo, 1 de julho de 2012
Domingo, dia de descanso, dia de estar com a família, dia de passeio... Para muitos é assim. Para mim foi um dia de muita reflexão.
Venho pensando muito sobre um assunto que circula com frequência as rodas de conversa e as redes sociais. Violência infantil. Me move exatamente pelo fato de que me questiono todos os dias sobre qual deve ser a melhor forma para criar e educar meu filho, fazendo com que ele seja um cidadão que possa fazer algo pela sociedade em que vive mais do que tenha interesse de receber dela.
E aí vejo o quanto é forte o conceito de que os filhos devem apanhar dos pais. Mas na maior parte das vezes, leio e ouço que não se deve espancar, bater pra machucar, isso não pode. Mas um tapinha é importante, bem vindo e recomendado. Veja bem, não quero aqui defender nenhuma teoria, estou falando de como me sinto e o que penso em relação a isso.
Ao me colocar no lugar da criança, muitas vezes olhando do ponto de vista do meu filho, vejo que geralmente ele não percebe o motivo pelo qual está recebendo um não. E se procuramos ser claros e coerentes, ele não se desespera. E aí eu posso receber um olhar de "mas seu filho tem 1 ano, você não sabe nada sobre criar filhos". Pode ser, e eu me dou o direito de mudar de ideia. Mas acredito que a convivência pacífica se dá por meio da palavra e jamais da agressão. Um tapa, qualquer tapa, é agressão.
Que mensagem pretende passar quem bate? Que os mais fortes dominam o mundo na porrada? Que falar não serve de nada porque no fim das contas o que vai resolver é a força física? E se o irmão menor "aprontar", pode apanhar do irmão maior? E quando ele crescer, vai poder bater no filho, neto, sobrinho?
Muitos dirão "mas eu apanhei dos meus pais e não sou traumatizado, amo meus pais e os respeito, sou uma pessoa de bem", "no tempo em que se podia bater nos filhos, as crianças tinham limite". Tinham limite ou tinham medo? Eu respeito meu pai que me bate, mas ele me respeita? Como fundamentar uma relação de mão única, em que aquela pessoa que depende do adulto para lhe decifrar o mundo, em quem confia plenamente, lhe diz que ela merece apanhar quando está errada? E o mundo, tem sido um lugar bom e pacífico para se viver?
Quando eu era criança, ouvia muito minha mãe dizer que aos seres humanos, diferente dos animais, foi concedido o direito de falar. E isso significa que podemos argumentar. Certamente não é o caminho mais curto nem o mais fácil, mas eu acredito ser o mais proveitoso. Nunca apanhei dos meus pais. Os respeito profundamente e tenho certeza de que me respeitam como indivíduo. Eu e meus dois irmãos somos pessoas de bem que respeitam os outros e não infringem as regras porque não lhes foi dado limite.
De forma alguma quero aqui julgar quem um dia bateu acreditando que estava fazendo o melhor. Mas se você pode pensar de outra forma, acreditar que existe outra maneira, por que não?
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Camila, junto com o tapa vem o ódio, a raiva... Fico imaginando o que é para uma criança ser "odiado" por quem deveria protegê-los e "livrá-los de todo o mal". Criança precisa de respeito. Nós adultos de paciência, para compreender o que muitas vezes não é dito, sabedoria para traduzí-los quando ainda não conseguem se expressar e amor, muito amor! Vale sempre à pena saber que é possível dizer não, colocar limites e que tudo isso é feito para cuidar dos nossos filhos, formá-los e torná-los mais independentes.
ResponderExcluirGostei muito da reflexão!
Beijo!:-))
( Cris- mãe da Clarice)