Parto e stress no mundo animal
Sabem, me lembrei de um acontecimento muito marcante pra mim durante a faculdade de Veterinária e achei que deveria vir aqui dividir com vocês.
Lá pelos idos de 2002-2003, estávamos eu e mais duas amigas caminhando pelo campus da faculdade no interior de SP, era final de tarde, e vimos que uma das vacas do grupo que estava pra parir estava afastada das outras. Resolvemos chegar mais perto pra ver e ela estava parindo, o bezerro já saía. Ao notar a nossa presença, tão estranha, a fêmea se levantou e o corpo dela começou a puxar o bezerro para dentro novamente.
Esta pra mim é a prova mais forte de que stress e parto não combinam. Sendo o parto um processo fisiológico, sendo a mulher tão mamífera como uma vaca... Que mulher consegue parir se houver entra e sai na sala de parto? Se houver comentários ou assuntos desagradáveis? Se a posição for desconfortável? Se estiver sendo submetida a intervenções?
O parto acontece. E é mais por deixá-lo acontecer do que por fazer com que aconteça. Ninguém faz um parto a não ser a dupla mãe-bebê. E eles dois podem ser acompanhados bem de perto sem alarde. Toda mulher deveria ter esse direito respeitado sem precisar comprar briga com ninguém.
Mas isso já é assunto pra outro dia...

Hum... não sei. Concordo que é um momento delicado e não atormentar a parturiente mais que o necessário parece até questão de respeito. Mas, ao usar a palavra estresse, a bioquímica começa a me pentelhar: induzimos parto nas vacas, quando necessário, à base de dexametasona, análogo do cortisol (hormônio de estresse) endógeno e fisiológico para o evento.
ResponderExcluirOu seja, o parto em si é dependente de estresse pra ocorrer. Receptores de corticóides não fazem distinção se a molécula veio de uma injeção, de um evento natural ou de pessoas que foram xeretar ali em volta, né?
Sei que a Camila entende a linguagem técnica sem problemas (somos colegas de classe), mas coloquei explicações do que quis dizer para que leitores(as) que não são da área entendam meu ponto de vista.